CENTRAL BAZAAR
por Jonas Mekas
Em 28 de março [1977], o MOMA (Cineprobe) exibiu Central Bazaar, de Stephen Dwoskin. Dwoskin estava presente e respondeu a perguntas. O filme foi rodado no ano passado e tem 153 minutos de duração. Foi reduzido a essa minutagem a partir de quinze horas de material filmado por Dwoskin com um grupo de voluntários suficientemente aventureiros para improvisar, encenando suas fantasias eróticas. As pessoas se movem, olham umas para as outras; há muito olhar neste filme, talvez mais do que em qualquer outro filme de Dwoskin. É um bazar para voyeurs.
Sim, as pessoas se movem, olham umas para as outras, fazem tentativas de comunicação, fracassam, às vezes quase conseguem — mas nenhuma de suas atividades jamais conduz a uma conclusão, consumação ou comunicação. Tudo permanece por cumprir, suspenso, tenso e — por vezes — desesperado. Ou seria tudo isso ritualístico? Eles chegam até ali, nada mais, e então colidem contra as fantasias uns dos outros; desmoronam; os sentidos pairam no vácuo, ardem na ponta dos dedos, para nunca se realizarem. Teatro da vida, figurinos, sexos, cores, lábios, realidade e fantasia se misturam e se revelam, intensificados pelo olhar obsessivo da câmera de Dwoskin, que seleciona, observa, detém-se em rostos, em detalhes, sustenta-se, não se afasta; o rosto é aprisionado, registrado. Mas não há coação, não há estupro da câmera em Dwoskin. É a própria gentileza, é uma inteligência delicada e discreta, uma sensibilidade que não destrói nem violenta a realidade, mas a ajuda a abrir-se, como um livro, página por página, rolo por rolo, movimento por movimento.
Alguém talvez pergunte, ao sair da sessão, por que esse filme foi feito, o que ele é, qual é a sua informação, quais são as suas lições. Eu não sei, e Dwoskin também não nos diz. Só sei que o que vejo é único, é difícil de realizar, e não creio que o próprio Dwoskin saiba por que o fez. Mas ele precisava fazê-lo. É uma daquelas coisas próprias das obras de arte, elas precisam ser feitas. Toda a conversa dos políticos da arte — basta entrar em qualquer loja de arte hoje em dia, esses lugares estão infestados de publicações de arte política — não passa de um passatempo da moda; não tem nada a ver com o fato de que a arte sempre será criada e não seguirá regras ou políticas de espécie alguma, sendo muito útil para uns e totalmente inútil para outros.
Estou observando minha filhinha. Ela tem dois anos e meio. Duas vezes por semana, vai com a mãe às aulas de Tai Chi. Disseram-me que ela não faz nada lá. Apenas se senta ou anda pelo espaço observando. Nunca tenta imitar nenhum dos exercícios de Tai Chi. Mas agora, em casa, ela fica de pé no meio da sala e os executa. Faz todos eles, um após o outro.
Contei isso a Brakhage esta noite. "Sim", disse ele, "somos todos olhos, somos todos olhos". E lembro-me de ler em algum lugar, anos atrás, como nós, enquanto assistimos a um dançarino ou ouvimos um cantor se apresentar, sem qualquer movimento visível — mas esses movimentos foram captados e medidos por cientistas enquanto permanecemos ali, sentados naquela cadeira —, nós, a plateia, fazemos exatamente os mesmos movimentos que o dançarino e produzimos os mesmos sons que o cantor.
Então, onde estou? Ah, o bazar dos sentidos de Dwoskin. Assistimos a um filme de Dwoskin e damos forma às nossas próprias fantasias eróticas, seguimos essas fantasias, as medimos. Ah, sim, havia também aquele filme japonês, como era mesmo o título... Foi proibido de ser exibido aqui há um ano: O Império dos Sentidos [愛のコリーダ]. Ali também nos sentávamos, observávamos, reencenávamos e medíamos. Mas que diferença! Não havia Virgílio — havia apenas o Inferno.
Tomás de Kempis, um homem muito sábio, escreveu um livro, A Imitação de Cristo. Sim, podemos crescer e progredir pela imitação, seja de um bom vinho, de um bom pão ou de um bom cinema. E também podemos imitar o pão industrializado e o mau cinema, e arrastar a humanidade ainda mais para baixo e produzir cânceres. Stephen Dwoskin é um bom monge do Cinema, cuja imitação de sua obra faz bem aos nossos corpos e às nossas almas.
Artigo para Soho News. Traduzido por Giovanni Silveira
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"Em uma ocasião em que apresentei os pensamentos de Wollheim, um colega da ciência cognitiva me mostrou um vídeo impressionante. Nele, um homem está segurando uma criança com dez minutos de idade. O homem abriu e fechou a boca, e o bebê abriu e fechou a boca imitando-o. O homem colocou a língua para fora e o bebê colocou a língua para fora. As mimeses eram tão exatas e não premeditadas que quase parecia que o bebê e o homem estavam reproduzindo um dos jogos de linguagem de Wittgenstein, embora sem palavras - como se, abrindo a boca, o homem estivesse enviando um comando para o bebê abrir a boca. E se a estrutura inferencial que conecta pessoas e bocas for reconstruída, deve mostrar que os bebês vêm ao mundo com poderes computacionais impressionantes e uma linguagem de pensamento que faz com que eles raciocinem que devem colocar a língua pra fora quando outros o fazem".
Arthur Danto, em O que é a arte?

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