A Condição do Novo Cineasta, por Jean-Marie Straub

A CONDIÇÃO DO NOVO CINEASTA


por Jean-Marie Straub

Embora o cinematógrafo tenha alcançado hoje um elevado grau de perfeição, sua posição mantém-se crítica, pois, se atingiu esse nível graças à solitária paixão de alguns artistas, permanece pronto para cair no esquecimento.

De todas as pessoas que trabalham ou que se envolvem com o cinematógrafo, apenas uma pequena parcela é composta por artistas inteligentes que, dotados de certas aptidões inatas, têm paixão pelo trabalho e pela arte, fazem esforços ao máximo para descobrir novos princípios e aprofundar aqueles que já existem.

Um artista como esse nada faz cujos efeitos não tenha consciência ou não tenha analisado. Nada escapa às suas observações, e ele está disposto a seguir qualquer caminho, desde que este combine suas aptidões àquilo que foi descoberto antes dele.

A arte do cinematógrafo nada mais é do que a aplicação do espaço no tempo.

Ninguém que não possua um caráter honesto e moral será aceito como mestre da arte cinematográfica[1].

(01 de Maio, 1959)


NOTAS

[1] A diretriz de Straub aqui ecoa a inscrição de Platão à entrada da Academia: "Que ninguém ignorante em geometria entre aqui". — Ed.

Retirado de Writings, editado e traduzido por Sally Shafto e Katherine Pickard para o inglês. pp. 58. Traduzido para o português por Giovanni Silveira.

Comentários