Ki Lo Sa ? (1986)


Georges Franju filmou os abatedouros para que pudesse também filmar o Canal de l'Ourcq e os portos. Robert Guédiguian filmou aquele ciclo de pessoas para que pudesse também filmar os seus arredores, a costa francesa, o centro urbano de Marseille e os centros daquela pequena edícula da qual as personagens se encontram. Filme absolutamente tangencial. Há uma elipse no início, e não é a única vez que Guédiguian faz isto, onde a mulher, Marie, pergunta ao rapaz que a espera se ele gosta do mar. Há um corte para o mar, bem para o horizonte, e então a câmera acompanha as ondas até alcançar o rapaz de novo, mas é outro dia. Como se, por algumas dezenas de vezes, as linhas de diálogo, as linhas dos gestos -- os mais banais, os mais presentes -- fossem se articular mais uma vez nos/para os planos seguintes. Uma sincronia, a mesma da qual Farocki descreve, que pode ser também disjunção pelo jeito que as coisas e sequências se constroem. É assim que, gradualmente, o filme passa de filmar as pessoas para filmar os ambientes, até que, dos ambientes, passe novamente a filmar as pessoas.

É também o remake de Professione: reporter. 11 anos depois.





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